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2ª edição da Startup Weekend Londrina Agrotech ocorre neste mês

Agatha Zago/Revista Agrícola

Startup é uma empresa iniciante, normalmente de base tecnológica, que tem modelo de negócio repetível e escalável, e que, normalmente, tenha baixo custo de produção. Partindo disso, a Techstar, uma das maiores aceleradoras do mundo, criou o Startup Weekend. A SW é um dos maiores eventos de empreendedorismo do mundo e começou a ser realizado em Londrina no ano de 2015. Durante alguns anos esse final de semana intensivo de empreendedorismo teve edições gerais, englobando diversos assuntos ao mesmo tempo. Porém, desde 2018, foram adicionados eventos com verticais específicas como saúde, varejo, esporte e o agronegócio.

O foco no mundo agro foi certeiro já que a região de Londrina tem uma expressividade bem grande e atuante nessa área. A AgroValley Londrina, governança de inovação no agro da região, elaborou um funil do ecossistema agro na cidade. O começo é marcado pela presença de idéias e necessidades de melhorias, passando para a primeira fase, a de pesquisa. Entram as instituições de pesquisa e de ensino, produtores e empresas.  Com metodologias de ideação passamos para a fase de desenvolvimento com o uso de tecnologia, prototipação e mentorias guiadas por laboratórios e empresas. Dessa forma, alcançamos o mercado consumidor nos eventos, graças ao estimulo das aceleradoras que fortalecem as startup. A solução final chega nas mãos das cooperativas, dos produtores, do poder público e dos investidores.

STARTUP WEEKEND

Os participantes são desafiados ao longo de 54 horas a desenvolver uma solução para um problema que a equipe tenha identificado dentro daquela vertical que está sendo evidenciada. “O objetivo do evento é proporcionar aos participantes da SW uma experiência empreendedora”, ressalta Amanda M. de Souza Schuntzemberger, formada em medicina veterinária e membro da Redfoot Community, uma comunidade de Startups do norte do Paraná que tem interesse em fortalecer o empreendedorismo na região. “Diferentemente do Hackathon, que tem foco nas soluções e nas idéias criadas, a SW tem foco no indivíduo, em sua vivência empreendedora. Vai ensinar a pessoa a trabalhar em equipe e sob pressão, a enxergar o mercado consumidor de outra maneira”, explica Schuntzemberger.

Esses eventos possuem a mesma metodologia. Na sexta-feira é feito o credenciamento dos participantes, um momento para realizar um networking e um pitch, uma apresentação, das possíveis ideias a serem desenvolvidas. Elas são colocadas para votação e, a partir daí, são montados grupos para resolver cada uma delas. “O facilitador do evento vai indicar quantas poderão ser desenvolvidas, tudo depende da capacidade do evento”, aponta Schuntzemberger.

Os participantes vão ter que pensar se aquele problema em pauta existe de fato, se ele tem uma solução viável e que vai agradar o mercado. Essas reflexões e estratégias terminam na manhã de domingo e no período vespertino são feitas as apresentações para os jurados e, em seguida, a premiação.

Durante o evento os participantes contam com o suporte de mentores voluntários. Eles têm o papel instigar, não dar respostar prontas para os integrantes do grupo, auxiliando no autoconhecimento do indivíduo.

Empresas de reconhecimento mundial, como o Spotify e a Zapier, nasceram dentro de uma SW. Na cidade de Londrina, dentro da vertical do agro, a empresa vencedora da 1ª edição do Startup Weekend Londrina Agrotech foi a BeeMoney.

BEEMONEY

Amanda Lais da Rocha é formada em Tecnologia de Alimentos e faz parte da equipe que venceu a 1ª edição do Startup Weekend Londrina Agrotech. “Fui acompanhar meu marido. Ele sempre gostou de participar de eventos de inovação e empreendedorismo. Um amigo dele que já havia participado de outros Startup Weekend e nos indicou”, revela Rocha. A tecnóloga conta que eles entraram em equipes diferentes, “foi uma experiência muito bacana e diferente. Fui sem saber como funcionava, não tinha tido contato com startups antes”.

Rocha assume que até aquele momento não tinha envolvimento no mundo agro. “Me identifiquei com a idéia de uma startup de abelhas por causa da minha formação de alimentos. Entrei na equipe oferecendo meus créditos de celular e acabei me envolvendo muito mais do que eu poderia imaginar.Você fica cativado com o planejamento, como desenvolver sua idéia como empresa e sua intuição de projeto”, declara Rocha. A tecnóloga acrescenta que o encontro abriu sua mente. “Todo conhecimento ajudou de alguma forma, cada pessoa do time entrou com o que sabia e um foi complementando o outro”.

A ideia que eles tiveram resultou na BeeMoney. “Foi desenvolvida em cima de um problema trazido por um menino que morou em Ortigueira e que sabia das dores dos produtores dos apicultores da região. O dilema era descobrir quando a colméia estava cheia e se eles estavam sofrendo com furtos. Os apiários não ficavam perto das propriedades e as visitas até lá não são feitas com muita freqüência, a cada duas semanas mais ou menos. O Apicultor acaba não tendo muito controle de quando está cheio, já que a média varia muito. Para encher uma colméia pode demorar dez dias ou até três meses”, explica Rocha.

Esse cuidado e observação dos apicultores geravam muitos gastos então, em uma equipe de sete pessoas, Rocha ajudou a desenvolver um equipamento de hardware que monitora a produção das abelhas. Seria enviado informações da colméia diretamente para o celular do apicultor.

ACELERAÇÃO PELA GO AGRITECH

A tecnóloga fala que dentro do evento eles ensinam também a vender a ideia, não só criar uma solução. “Como participante, fui sem expectativa nenhuma. Saí de lá querendo indicar o Startup Weekend para todo mundo. Ganhamos um local para nos reunirmos e algumas consultorias, até que participamos do hackaton dentro da ExpoLondrina do ano passado. Foi lá que ganhamos a aceleração da Go Agritech da Sociedade Rural do Paraná”, comenta Rocha.

Por questão de deslocamento restaram apenas ela e Marcel Cardoso, o engenheiro eletrônico da equipe original. “Participamos de feiras agro mostrando o nosso projeto, conversamos com vários apicultores para validar ainda mais a nossa idéia”, menciona Amanda, “Empreender não é fácil, demanda muito tempo e dedicação. Delimito algumas horas do meu dia para poder me dedicar a isso”. Com a ajuda da aceleradora o time tem contato com novos estudos e consultorias o tempo todo. “Como é uma aceleradora agro, ela nos coloca de frente com o nosso consumidor e cliente final. A aceleradora nos ajudou muito a crescer dentro do mundo do agronegócio”, finaliza Rocha.

EVENTO DE IMERSÃO DO AGRO

As expectativas da Redfoot é que as startups perdurem no mercado e virem empresas de sucesso. “A BeeMoney e a Transpork são exemplos de idéias que deram certo. Com a premiação que conquistaram na SW tiveram espaço no Hackathon de Londrina e com muito êxito, em seis, sete meses, conseguiram investimentos fortes. Falo delas com brilho nos olhos”,  revela Schuntzemberger.

A Redfoot trabalha em várias regiões com várias frentes, buscando fortalecer o empreendedorismo como um todo, para o maior número de pessoas possíveis. “Nossas próximas edições vão buscar soluções na área de construção civil, da saúde e até para os pets”, menciona Schuntzemberger.

PROGRAMAÇÃO

A estimativa gira em torno de 80 participantes e o público, em sua maioria, é composto por estudantes e produtores rurais. “Mas não existe um público específico, qualquer pessoa que tenha mais de 18 anos, ou a partir de 16 anos acompanhada por responsáveis, que tenha interesse de ter uma experiência empreendedora pode participar. Precisamos de pessoas de todas as áreas, principalmente desenvolvedores”, partilha Schuntzemberger. A dinâmica vai ser realizada no IAPAR Instituto Agronômico do Paraná, localizado na Rod. Celso Garcia Cid, e começa no dia 27 de março às 18h30min e vai até domingo, 29. As inscrições e outras informações podem ser acessadas pelo link:

http://communities.techstars.com/brazil/londrina/startup-weekend/15918

 

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