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BALANÇO EXPEDIÇÃO MILHO SAFRINHA

Preço de venda desanima produtores, apesar de boa colheita
Projeto de iniciativa da Revista Agrícola, acompanhou lavouras por todo o interior paulista

RENATA BALDO

O projeto Expedição Milho Safrinha 2017 cruzou a linha de chegada. Foram seis meses, de abril a setembro, percorrendo cidades por todo o interior paulista em busca de informações sobre o andamento do milho de segunda safra ou “safrinha”. Mês a mês foram sendo publicadas entrevistas com produtores, consultores técnicos, fornecedores, sobre os mais variados aspectos inseridos no processo de produção. Assim, a Expedição cumpriu com o seu objetivo de promover a interação entre eles e auxiliá-los na tomada de decisões a partir de um melhor conhecimento das condições da safra nas diferentes regiões do Estado.

A Revista Agrícola, pertencente ao Grupo Manancial, lançou a Expedição Milho Safrinha levando em conta a importância histórica, social e econômica da cultura do milho safrinha para o Vale Paranapanema, bem como para o Estado de São Paulo e para o Brasil. A região do médio Vale Paranapanema, estabeleceu o milho como cultura de inverno no início da década de 90 e foi pioneira em desenvolver-lhe tecnologia apropriada, a qual se expandiu para outras regiões brasileiras adaptadas as suas respectivas peculiaridades.

Aildson Pereira Duarte – Pesquisador científico e especialista do Programa Milho e Sorgo IAC / APTA

O manejo de solo em área irrigada e sequeiro, a melhor época de semeadura, o arranjo espacial de plantas, o posicionamento de híbridos, as biotecnologias utilizadas, os níveis de investimentos, a adoção de áreas de refúgio, a incidência de doenças e pragas, o potencial produtivo, os efeitos climáticos, e a previsão de safra foram alguns dos assuntos abordados durante toda a Expedição.
A iniciativa contou com o apoio do Instituto Agronômico (IAC), um dos antigos parceiros da Revista e, de modo especial, com o pesquisador científico e especialista do Programa Milho e Sorgo IAC / APTA, Aildson Pereira Duarte.

As equipes foram divididas em três regiões:

  • Médio Paranapanema (abrangendo Cândido Mota, cidade sede da Revisa Agrícola na divisa com o Paraná);
  • Alto Paranapanema (tendo como referencia as cidades de Itaberá e Itapetininga)
  • Noroeste (incluindo Guaira e São José do Rio Preto).

 

Manoel Messias de França

No mês de abril, a Expedição visitou produtores das regiões da Alta Paranapanema e da Media Paranapanema. Os primeiros visitados foram os municípios de Águas de Santa Bárbara, Santa Cruz do Rio Pardo e Ribeirão do Sul, na região do Médio Paranapanema. O produtor indicado pela Agro Ferrari, Mateus Scarpim, em Santa Cruz do Rio Pardo, recebeu a equipe da Revista Agrícola para uma rápida visita as áreas de milho safrinha próximas a sede da fazenda.
Em Ribeirão do Sul, quem recebeu a equipe da Expedição foi o engenheiro agrônomo e gestor comercial da Dispar – unidade regional, Gustavo Xavier. No município de Águas de Santa Bárbara e em Santa Cruz do Rio Pardo, o entrevistado foi o produtor Paulo Terezan, indicado pela Sefert. No início de maio a caravana da Expedição seguiu para a região Noroeste. Em Capão Bonito, a produtora Elizana Baldisserra Paranhos, contou sua experiência com uma área de milho irrigada e consócio de milho e aveia.

Roberto Rubens Gasparelli Alvorada do Sul

Ainda em Capão Bonito, a Expedição passou pela propriedade do produtor Sidney Fujiwara, onde o plantio do milho safrinha de estendeu até o final de março em função do clima, dividindo a propriedade com outras duas culturas: trigo e aveia. No município de Taquarivaí, a parada foi na Fazenda Capituva, de propriedade do produtor Maurício Fernandes Dias. Ele reduziu a área de milho de segunda época este ano de 1000 para 250 hectares, dos quais 188 hectares irrigados, por dois motivos: a perda da janela ideal (até 20 de fevereiro) e a desvalorização comercial do grão.
Em Campos de Holambra, o entrevistado foi o produtor e presidente da Cooperativa Agroindustrial de Holambra, distrito de Paranapanema, Simon Johannes Maria Veldt. Em sua região, no sudoeste paulista, é realizado dois plantios de milho irrigados. A cultura é plantada após a colheita do feijão em novembro e colhida no final de abril e novamente após a soja, entre 15 de setembro até o final de fevereiro, a ser colhida a partir de julho.

Uniserta-Sertanópolis

Em Itaberá, a Expedição Milho Safrinha conversou com o gestor da propriedade Lagoa Bonita, Adilson Rodrigues Machado. Lá foram plantados este ano 900 hectares de milho safrinha. No município de Cândido Mota, quem falou à equipe da Expedição sobre o andamento da safrinha já próximo a colheita foi o produtor Elizeu Martins. A Expedição também passou pela cidade de Barretos, sendo na ocasião recebida pelo produtor Flávio Revolta, na Fazenda São José, e também pelo engenheiro agrônomo Kléber Chikitane, representante da revenda da Era Agrícola na região.

Carlos Eduardo Daguano Alvorada do Sul

De um modo geral os produtores entrevistados pela Expedição Milho Safrinha conseguiram plantar dentro da janela ideal, salvo a área do produtor Maurício Dias em Taquarivaí. Eles também sentiram coletivamente o aumento no custo da semente e adubos, bem como na necessidade de aumentar a aplicação de um ou outro defensivo durante o manejo da lavoura. Todavia não foi o gasto extra no controle de pragas que mais desapontou o produtor, e, nem tampouco uma ligeira quebra de produtividade, mas, sim, o baixo preço de comercialização do milho.

LEVANTAMENTO

A produtividade média do milho safrinha no Estado tem aumentado nos últimos 26 anos, mas não de maneira contínua. Segundo o pesquisador Aildson Pereira Duarte, os estresses abióticos têm sido bastante severos em determinados anos, devido à ocorrência de seca e/ou geadas, reduzindo drasticamente a produtividade regional e estadual.
Duarte conta que no estado de São Paulo predominam pequenas e médias propriedades. Destacam-se no Médio Paranapanema propriedades agrícolas familiares, com tamanho médio próximo de 50 ha. Na região Norte/Noroeste e Alto Paranapanema o tamanho da propriedade é mais heterogêneo e ocorre, com maior frequência, o sistema de arrendamento para cultivo de soja e milho safrinha em sucessão.
Em São Paulo, parte da soja é cultivada temporariamente em áreas de renovação de cana-de-açúcar, principalmente no Norte/Noroeste. A proporção da área de milho safrinha em relação à da soja é próxima de 95%, 80% e 80% no Médio Paranapanema, Alto Paranapanema e Norte/Noroeste, respectivamente.
Outra observação feita pelo pesquisador é de que ser raro o pousio nestas regiões, optando-se por plantas de cobertura na ausência de cultura para colheita de grãos. No Alto Paranapanema são cultivados trigo e aveia branca e preta (cerca de 10% da área), e no Médio Paranapanema aveia preta e braquiária solteira, especificamente em solos de textura média (menos de 5% da área). Na região Norte/Noroeste, quando não cultiva milho safrinha, utiliza-se principalmente sorgo e milheto e, em fase exploratória, a braquiária em sobressemeadura na soja.
Duarte explica que a sucessão soja e milho safrinha é permanente, exceto em áreas de arrendamento, que são alocadas para pastagem ou cana-de-açúcar. “Faz-se a interrupção do cultivo sucessivo de soja e milho safrinha apenas na região do Alto Paranapanema, com milho no verão e/ou cereais de inverno, mas em pequena proporção (menos de 10%)”, coloca.

CONSÓRCIO

Ainda de acordo com o pesquisador, a adoção do consórcio de milho safrinha é exclusivamente com braquiária, ocupando cerca de 3% da área total do milho. A principal justificativa para o baixo nível de adoção é a necessidade de uma operação a mais, no caso do espaçamento reduzido, porque são raras as plantadeiras com terceira caixa, e o trabalho adicional quando em linhas intercalares. “Acrescenta-se a pouca percepção dos benefícios diretos na produtividade da soja, tida como mais evidente nos anos com estresse hídrico, e que o possível prejuízo por competição com o milho pode ser maior que os ganhos na soja, somado ao trabalho de fazer o consórcio. Na região Norte/Noroeste a divulgação do uso da braquiária foi priorizada no milho verão e parte dos agricultores não sabe como fazer o consórcio no milho safrinha”, expõe.

SEMEADURA E CULTIVARES

No Médio Vale do Rio Paranapanema, na divisa do Paraná, é utilizado apenas o sistema plantio direto, há mais de 20 anos, mas quase sempre sem rotação de culturas. Já nas regiões Alto Paranapanema e Norte/Noroeste, embora predomine o sistema plantio direto, ocupando cerca de 80% da área, são utilizados também o cultivo mínimo e o preparo convencional com grades, respectivamente. “A alta infestação de buva e/ou amargoso em algumas áreas, independente da região, estimulou o uso da gradagem superficial, mas já se percebeu que é uma prática ineficaz”, observa Duarte.
Já, no Médio Vale do Paranapanema, nos dois últimos anos, houve maior antecipação e semeadura da soja e, respectivamente, do milho safrinha, porque ampliou o portfólio de cultivares de soja, com predominância de ciclo precoce e possibilidade de semear no cedo. Cerca de 70% do milho safrinha tem sido implantado dentro da época de maior potencial produtivo e menor risco de perdas, que é até 15 de março.
“Na região do Alto Paranapanema a época ideal de semeadura é mais cedo, ficando restrita ao período de meados de janeiro até o final de fevereiro, devido ao alto risco de perdas por geadas. Pouco mais de metade do milho safrinha tem sido semeado neste período, mas com tendência de antecipação da colheita da soja e também de substituição do milho safrinha por cereais de inverno nas semeaduras tardias”, observa o pesquisador.
De acordo com Aildson, as cultivares transgênicas Bt e RR representam, aproximadamente, 96% do mercado paulista de sementes de milho safrinha e as convencionais 4%. Existe dificuldade em manejar a lagarta-do-cartucho no milho convencional porque a eficiência de controle químico deixa a desejar, devido à seca e à aplicação inadequada. “Utilizam-se, em média, duas cultivares na propriedade. A maior diferença no número de híbridos ocorre entre tamanhos de áreas extremos: os agricultores com áreas pequenas utilizam com frequência apenas uma cultivar e os médios e grandes três ou mais cultivares”, relata.
Ainda de acordo com o especialista, a adaptação produtiva e o custo das sementes são os principais fatores considerados na escolha das cultivares. Em São Paulo, em média, cerca de 1/3 do público define a cultivar com informações fornecidas pelas próprias empresas, tanto pelo vendedor como em apresentações em dias de campo. Esta proporção é maior na região Norte/Noroeste pela menor atuação de consultores independentes. Destaca-se a troca de informações entre os próprios agricultores sobre o desempenho dos materiais nas lavouras. Especificamente na região do Médio Paranapanema, os resultados das avaliações realizadas pelo IAC/Apta são muito utilizados como referência por técnicos e agricultores.

ADUBAÇÃO

O levantamento do IAC mostra que no estado de São Paulo, a totalidade da adubação de semeadura é feita no sulco. A adubação de cobertura nitrogenada é feita nos estádios de V2 a V6. Na região norte/noroeste existe maior preocupação em antecipar a cobertura porque na semeadura se empregam menos fórmulas NPK concentradas em N e procura-se aproveitar ao máximo as chuvas no início do ciclo.
“Os micronutrientes são utilizados com maior frequência em lavouras com bom desenvolvimento, mesmo assim em apenas 20% destas lavouras, via foliar. Quase não se empregam inoculantes biológicos formulados com Azospirillum (cerca de 1% das lavouras). Como a pulverização no sulco é muito pouco utilizada durante a semeadura, o emprego do Azospirillum depende exclusivamente da inoculação da semente, que é trabalhosa, ou aplicação foliar”, detalha Duarte.

CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS

Consta ainda no levantamento do IAC que a ocorrência de espécies de plantas daninhas mais comuns varia de acordo com a região. No Vale do Paranapanema predominam capim-carrapicho, soja resteva e trapoeraba, juntamente com amargoso, que é de controle mais difícil. Na região Norte/Noroeste, acrescenta-se o fedegoso, apaga fogo e caruru.
O amargoso, a buva “perenizada” e o picão preto são as principais espécies com resistência aos herbicidas presentes no milho safrinha. Especificamente no Vale do Paranapanema tem-se ainda o capim-arroz e a poaia, requerendo doses elevadas de glifosate para o controle do capim-arroz e a associação obrigatória com atrazine para poaia.
O controle é feito exclusivamente com herbicidas. A atrazine é utilizada em todas as lavouras por controlar eficientemente a soja resteva, que deve ser eliminada para atender as normas do vazio sanitário, e da maioria das folhas largas.
“Estima-se que o glifosate seja aplicado em 60% da área de milho safrinha e que parte das lavouras com híbrido RR não recebe a aplicação deste herbicida. Aproximadamente 40% da área cultivada com a sucessão soja e milho safrinha é tratada continuamente com glifosato nas duas culturas”, informa o pesquisador.

CONTROLE DE PRAGAS

Em relação às pragas a pesquisa do IAC releva que, no estado de São Paulo, a mais comum é a lagarta-do-cartucho. Porém, na região do Vale do Paranapanema, o percevejo barriga-verde é a praga que tem causado mais danos às lavouras pela alta infestação e dificuldade de controle. Recentemente, a cigarrinha do milho se tornou importante na região Norte/Noroeste, pelo aumento da sua população e ocorrência de surto epidêmico de enfezamento. No Vale do Paranapanema esta doença não é importante; há pouquíssimos relatos de prejuízos devido ao enfezamento.
“O principal método de controle das pragas é o químico e, para a lagarta-do-cartucho, também o uso de cultivares resistentes. O Manejo Integrado de Pragas não é adotado devido, principalmente, pela falta de profissionais treinados na área e percepção dos seus benefícios pelos agricultores”, diz Duarte acrescentando: “o controle químico é o único método de manejo dos percevejos, por meio do tratamento de sementes com neonicotinoides e pulverizações sequencias (duas a três)”.
No caso das cigarrinhas, é utilizado o tratamento de sementes com neonicotinóides, pulverizações com produtos específicos para o seu controle e cultivares resistentes aos patógenos transmitidos. Na região Norte/Noroeste é feita pelo menos uma aplicação de inseticidas para o controle da cigarrinha. De maneira generalizada, adiciona-se pelo menos um inseticida na única aplicação de herbicida.“O tratamento de sementes tem adoção total, variando muito o tipo de tratamento (industrial ou no barracão) e o ingrediente ativo. Já, o controle biológico é pouquíssimo utilizado. São feitas aplicações pontuais de Bacillus liofilizado para o controle de lagarta-do-cartucho”, continua o pesquisador.

CONTROLE DE DOENÇAS

O estudo revela ainda que as doenças foliares mais comuns no Estado de São Paulo são: Médio Paranapanema: manchas de cercospora, turcicum, faeosferia (manha branca) e bipolaris; Alto Paranapanema: cescopora e faeosfaeriacicum; e Norte/Noroeste: ferrugem polissora, turcicum, cercospora e faeosfaeria.
Os problemas com enfezamentos e viroses do milho são freqüentes apenas na região Norte/Noroeste. Já as doenças de colmo e espigas ocorrem com baixa frequência em anos específicos no Vale do Paranapanema, sendo considerado um problema pontual em poucos híbridos. O uso de cultivares resistentes e aplicação de fungicidas são os principais métodos de manejo das doenças.
Cerca de 90% dos produtores fazem pelo menos uma aplicação de fungicida. Se for necessária a segunda aplicação de fungicida, a grande maioria dos agricultores prefere trocar o híbrido. Mas, em situações específicas na alta tecnologia, o agricultor escolhe híbrido medianamente suscetível ciente da necessidade de duas aplicações de fungicidas.
A aplicação dos fungicidas é feita na última entrada do trator ou no pré-pendoamento, preferindo-se a última quando há disponibilidade de pulverizador autopropelido ou avião, o que varia muito dentro da própria região. São utilizadas principalmente as misturas de triazol e estrobilurina. Na região do Alto Paranapanema, onde a mancha branca é endêmica, é comum adicionar também mancozeb.

COLHEITA

Em relação à colheita foi constado que no Vale do Paranapanema começa em meados de julho e termina em meados de setembro, concentrando-se no mês agosto; 2/3 da produção é colhida em agosto. Na região Norte/Noroeste a colheita começa mais cedo e termina em agosto, devido à antecipação na semeadura e ao clima mais quente.
A maioria das lavouras é colhida com umidade dos grãos nas faixas de 20% a 25% no Vale do Paranapanema e de 18% a 22% no Norte/Noroeste. Os problemas de qualidade de grãos são pontuais, exceto em anos com geadas no Vale do Paranapanema, quando ocorrem grãos chochos e/ou ardidos em parte das lavouras (proporção variável de acordo com a intensidade e época das geadas).

COMERCIALIZAÇÃO

O estudo também verificou que a época da comercialização depende muito do ano, pois o valor do milho é muito variável no momento da colheita. Os dois últimos anos foram muito diferentes, com rápida comercialização em 2016 e muito lenta em 2017. Geralmente, uma pequena parte do milho colhido na safrinha é vendida imediatamente, mediante contratos (menos de 10% do total) ou negociada diretamente. O restante da produção é armazenado em cooperativas ou empresas do setor, fora da propriedade. Na maioria dos anos, é retido pelo menos metade da produção na expectativa de aumento dos preços. Comparando as regiões, o Norte/Noroeste escoa quase toda a produção até o final do ano, devido à menor disponibilidade de armazéns para a armazenagem conjunta de milho e soja.
Outra constatação da pesquisa foi a de que a liquidez do milho safrinha é muito boa. É fácil vender dentro dos preços praticados, que nem sempre asseguram lucro. A produção do milho safrinha está próxima dos locais de consumo em todas as regiões produtoras paulistas, visto que o estado importa a metade do milho que consome. Porém, é feito deslocamento dentro do estado porque quase todos consumidores estão fora dos municípios produtores. A maior parte da produção é destinada para fábricas de rações que abastecem granjas avícolas na região de Bastos ou Campinas. Uma pequena parte tem sido exportada em anos específicos.
Há disponibilidade de silos para armazenar a safra até o momento da venda, mas a capacidade está no limite. Existe preocupação com o aumento do armazenamento conjunto de milho e soja de uma safra para outra.

CULTURA LUCRATIVA

Segundo o pesquisador Duarte, o milho safrinha é a cultura que melhor se adequou na sucessão com a soja, maximizando o uso da infraestrutura na propriedade e, na maioria dos anos, proporcionando lucro ao agricultor.
Nos últimos cinco anos, o custo médio da produção por área subiu cerca de 10% ao ano. A cultura continua lucrativa porque a produtividade também aumentou; a continuidade dos incrementos se constitui no maior desafio para o futuro.
As previsões do nível de investimentos para o próximo ano dependem da expectativa dos preços de venda e, antes disso, da ocorrência de boas condições climáticas para a semeadura antecipada da soja e, consequentemente, do milho safrinha. A grande variabilidade do preço do milho dificulta o planejamento de investimos na lavoura e a previsão de lucro, que é muito dependente do preço de venda.

PRÓXIMA SAFRINHA

A estimativa do setor é de que, pelo menos, 2/3 da soja verão 2017/18 já tenha sido semeada até meados de outubro, o que traz a perspectiva de antecipação para fevereiro em mais da metade da safrinha de 2018. A antecipação de parte do milho de segunda época é considerada muito boa para diluir riscos da cultura na região. “Temos então uma janela maior de semeadura dentro de uma época ideal e se não houver frustração, o milho plantado entre o final de fevereiro e o início de março tem seu potencial produtivo aumentado pelas características climáticas regionais”, explica Duarte.
O pesquisador entende que, diante das incertezas do mercado, cada produtor deve traçar a sua estratégia de comercialização da safrinha e não ficar apenas contando com uma reação do mercado, já que apenas o aumento do valor de comercialização da saca não lhe assegura, por si só, lucratividade. Devido ao preço baixo do milho atualmente praticado, Duarte acredita que o nível de investimento da safrinha pode variar um pouco, mas não drasticamente vez que a variação dos principais insumos costuma ser muito pequena entre as opções a, b, ou c. O que preocupa o pesquisador é que alguns diminuem investimento na adubação, justamente onde menos deveriam mexer. Em relação ao aumento ou redução de área, o especialista entende que as regiões tradicionais no cultivo da safrinha como São Paulo, Mato Grosso do Sul, e parte do Paraná já definem seu plantio de inverno ao optar pela soja no verão. “Nestas regiões já se planta soja no verão pensando em complementar a renda com o milho no inverno”, conclui.

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