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Brasil participa de artigo na Science Advanced sobre avanços no conhecimento da ferrugem da soja

O Consórcio Internacional do Genoma da Ferrugem Asiática da Soja acaba de tornar público (ainda não revisado por pares) o artigo referente aos avanços obtidos com o sequenciamento e motangem de três genomas do fungo causador da ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi). O consórcio internacional de pesquisa ASR Genome Consortium é formado por 12 instituições de pesquisa. No Brasil, participam deste consórcio a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Bayer, a Syngenta e a Universidade Federal de Viçosa (Brasil).
A pesquisadora Francismar C. Marcelino-Guimarães, da Embrapa Soja, uma das autoras do artigo, explica que a disponibilidade do genoma de referência do fungo é essencial para o avanço no conhecimento da biologia e nos fatores envolvidos na adaptabilidade deste fungo, com o intuito de acelerar o desenvolvimento de novas estratégias de controle da ferrugem-asiática. “A partir da análise de seu genoma, descobrimos que este o fungo apresenta um dos maiores genomas entre os fitopatógenos, com um tamanho similar ao genoma da soja, seu principal hospedeiro, o que não implicou no aumento no número de genes. Verificamos ainda que o genoma é altamente rico em sequências de DNA repetitivo, dentre estes os elementos transponíveis, alguns destes ativos durante a sua interação com a soja, constituindo então atores importantes na variabilidade e adaptabilidade deste fungo”, destaca Francismar.

A ferrugem-asiática da soja vem sendo a principal doença da cultura da soja desde sua identificação nos anos 2000. A doença pode levar a perdas de até 90%, se não for controlada, enquanto os custos de manejo para os agricultores excedem US $ 2 bilhões por safra, somente no Brasil. “A Embrapa tem buscado parcerias público-privadas constantemente para alcançar respostas mais ágeis e precisas para os desafios da cultura da soja. A participação dos nossos pesquisadores em iniciativas como a deste consórcio internacional revela que o investimento em pesquisa e inovação é o caminho para garantirmos a sustentabilidade do sistema produtivo de soja no Brasil. A ferrugem é um dos nossos maiores desafios fitossanitários, porque o fungo é capaz de se adaptar às estratégias de controle, seja pela perda da sensibilidade aos fungicidas ou pela quebra da resistência genética presente nas cultivares de soja. Por isso, os resultados obtidos e agora compartilhados publicamente com a comunidade científica são um avanço na busca de soluções práticas para o controle desta doença”, avalia o chefe-geral da Embrapa Soja Alexandre Nepomuceno.

“Há três anos anunciamos a montagem do genoma da ferrugem da soja. Para a Bayer, os resultados apresentados neste momento mostram a importância de um investimento contínuo, não apenas em P&D, mas em parcerias que realmente fomentem a inovação no agro. Colaboração está dentro do nosso DNA e cada vez mais faz total sentido. A ferrugem asiática na soja é um dos grandes desafios enfrentados por produtores, já que a doença pode comprometer até 90% das lavouras de soja. Com o genoma mapeado, podemos analisar o contexto da doença e o histórico de mutações, possibilitando que nos antecipemos às novas possíveis variações do fungo. A partir dessas informações, também conseguimos aperfeiçoar o manejo e as soluções contra o fungo, além de gerar insights para o desenvolvimento de sementes com tecnologias de proteção à ferrugem asiática. Extremamente importante fazer parte deste consórcio”, destaca Dirceu Ferreira Junior, líder de Inovação Aberta na Divisão Agrícola da Bayer para a América Latina.

A Syngenta vê como fundamental a descoberta do genoma da Phakopsora pachirhyzi e orgulha-se por ter contribuído diretamente com o sequenciamento de um dos três genomas da ferrugem. “Entendemos que esta descoberta viabiliza o desenvolvimento de moléculas mais eficazes para o controle químico do patógeno, com alto potencial de danos para as lavouras de soja. Seguiremos trabalhando e utilizando os benefícios desta descoberta ímpar para o agronegócio, no Brasil e no mundo”, afirma Ricardo Desjardins, engenheiro agrônomo, gerente Latam de Manejo de Resistência a Fungicidas, da Syngeta.

Sobre o Consórcio – Entre os anos 2019 e 2021, o consórcio internacional de pesquisa ASR Genome Consortium, disponibilizou publicamente o seqüenciamento e a montagem do genoma de referência de três isolados de P. pachyrhizi, cujo os dados estão publicamente disponíveis para a comunidade científica no link. O consórcio internacional é composto por 12 instituições públicas e privadas,listadas a seguir: a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as Universidade Alemãs de Hohenheim e de RWTH Aachen, o Instituto Nacional da Pesquisa Agronômica (INRA-França) e a Universidade de Lorraine (França), além do Joint Genome Institute (JGI, EUA), da Fundação 2Blades, da Bayer, da Keygene, do Laboratório Sainsbury (Reino Unido), da Syngenta e a Universidade Federal de Viçosa (Brasil)

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