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Projeto Junho Verde – Frigorífico Avícola Noroeste investe em projetos ambientais

Na pequena Guarantã-SP, cidade interiorana com pouco mais de 6 mil habitantes, está localizado o Frigorífico Avícola Noroeste. O empreendimento do segmento alimentício está em atividade desde fevereiro de 1992 gerando emprego e renda. Responsável por mais de 300 empregos diretos e indiretos, os Frangos Noroeste alcançam todas as regiões do País e chegam à mesa de milhares de brasileiros.

O Frigorífico Avícola Noroeste abate mensalmente 30 mil aves e aguada a conclusão deprocesso de licenciamento para ampliar sua produção em mais 20 mil aves. Tamanha estrutura gera um ônus ambiental. Para cada ave abatida são gastos 20 litros de água que, se não tratados adequadamente, poluirão o meio ambiente. Proporcionalmente, para 50 mil aves abatidas são necessários 1 milhão de litros de água/dia.

Para que o meio ambiente não pereça é preciso investir pesadamente e, apesar de toda cobrança social, poucas são as empresas a realizar as intervenções necessárias e de forma adequada. Neste “Junho Verde” a Revista Agrícola visitou o Frigorífico Avícola Noroeste em Guarantã para conhecer de perto os projetos ambientais que estão transformando a realidade naquela localidade e servindo de exemplo para muitos.

 

Osvaldo destaca a transformação da Água após o tratamento

A equipe de reportagem foi recebida pelo empresário Osvaldo Teruo Shibata. Eleestá à frente do Frigorífico Avícola Noroeste e de outras três empresas; ABN – Administração de Bens e Negócios, Styllo Cobranças, Transportadora Shibata e Shibata Participações, esta última voltada ao ramo imobiliário e graxaria. Na graxaria são produzidos subprodutos do frango como óleo, farinha de vísceras e farinha de pena, ambos utilizados no preparo de ração animal.

O empreendedor planeja para o início deste segundo semestre iniciar a gestão do frigorífico avícola CAC Frangos no município de Avaré. A ideia é alcançar ainda mais em seu segmento mantendo a eficiência, bem como uma logística de entregas especializada que vá ao encontro dos anseios dos seus parceiros comerciais e do consumidor final cada dia mais exigente na busca de produto de qualidade com preço justo.

Na oportunidade, Teruo Shibata apresentou a engenheira ambiental, Luana Ribeiro da Silva, contratada há um ano e autora dos projetos ambientais em andamento. Tais projetos prometem, mais do que cumprir rigorosamente o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com o Ministério Público, destacar para o mundo o Frigorífico Avícola Noroeste no que diz respeito à responsabilidade ambiental.

APRIMORAMENTO – A engenheira ambiental notou, logo ao chegar ao Frigorífico Avícola Noroeste, a necessidade de aprimorar as lagoas de tratamento existentes, já que o efluente final não tinha a qualidade desejável. Mesmo não sendo uma exigência legal, o empresário Teruo Shibata passou a investir no projeto assinado por Luana para melhorar o sistema de tratamento de efluentes, o qual foi desenvolvido e passou a funcionar no início deste ano.

 

Engenheira Ambiental Luana

Luana explica que primeiramente o efluente passa por um tratamento primário por meio de um flotador por ar dissolvido. Neste equipamento todo o efluente proveniente do tratamento preliminar, ou seja, o efluenteque passou por peneiras é equalizado e enviado para um tratamento preliminar quimicamente assistido. Só depois deste processo físico-químico, prensado e separado o lodo, o efluente passa para o tratamento secundário, que é biológico, nas lagoas.

A primeira lagoa possui aeradores para oferecer mais oxigênio e degradar a matéria orgânica ali existente. Já, a segunda lagoa, tem a finalidade de decantação e sedimentação desta matéria orgânica. Segundo a engenheira ambiental, 100% do efluente do Frigorífico passam por esse processo de tratamento, sendo que aproximadamente 40% deste ainda passam por uma estação de tratamento de água compacto para ser reutilizado para fins específicos como lavagem de caminhões e resfriamento climatizado de aves.

Um dos desafios do sistema de tratamento dos efluentes foi encontrar um equipamento apropriado para o tipo de lodo gerado pelo Frigorífico. Aliás, lembra a engenheira Luana, assim como nos empreendimentos da iniciativa privada também o poder público tem dificuldade de achar uma solução para o lodo no tratamento das águas utilizadas em saneamento no perímetro urbano. De maneira geral os equipamentos associados a esse tratamento têm um custo elevado e é difícil encontrar mão de obra que os opere corretamente.

Cada tipo de empreendimento gera um tipo próprio de lodo. No Frigorífico Avícola Noroeste, antes de se chegar a prensa, alguns testes foram realizados com decanter e tridecanter, equipamentos que separam duas e três fases de densidades diferentes um liquido contendo sólidos suspensos. O teste com a prensa bombeada e o flotador se mostrou mais efetivo, cada um custou ao empreendedor R$ 300 mil.

Os investimentos nos projetos ambientais não pararam por aí. Ao todo já foram investidos, pelo empresário Teruo Shibata, quase R$ 1,5 milhão. O projeto de captação de água da chuva já existia quando a engenheira ambiental chegou ao Frigorífico. Este, por sua vez, foi ampliado após a sua chegada aumentando a captação e reservação da água da chuva em uma caixa central com capacidade para 600 mil litros. Essa água pluvial é redistribuída para setores da empresa no qual podem ser aproveitada.

A construção do emissário foi motivada por uma imposição legal, mas o projeto de compensação ambiental apresentado a Cetesb terá uma abrangência bem maior do que a obrigatória. Com o auxilio de consultoria especializada verificou-se a necessidade de compensação ambiental em Área de Preservação Permanente (APP) de 0.5 hectares, mas o projeto prevê a recuperação de 2 hectares em 4 anos.

De acordo com a engenheira ambiental a ideia de tornar o projeto mais abrangente que o exigido legalmente surgiu em uma conversa com o proprietário da Fazenda que terá área de APP recuperada com vegetação nativa num raio de 50 metros da margem da nascente.

“O impacto desta recuperação de nascente será muito positivo, pois, para nós que atuamos nesta área e vemos o nível dos córregos e rios muito baixo, fica fácil relacionar a falta de APP a crise hídrica que atravessamos”,

comenta Luana lamentando as conseqüências da degradação ambiental.

Luana comenta que o mais caro no projeto do emissário é a tubulação para um percurso de 8 km. A profissional do meio ambiente comenta que no mesmo corpo receptor do efluente do Frigorífico, apenas 1.500 metros acima, a água tem qualidade muito inferior a que chega tratada da indústria devido ao esgoto da cidade que é lançado sem um tratamento eficiente pelo poder público.
Com relação à área de APP a ser recuperada pelo Frigorífico, relatórios anuais serão apresentados no desenvolver do projeto e a área que terá protegida com cercas deverá ser periodicamente monitorada. Há uma tolerância estreita para mudas que eventualmente não cresçam. No caso de eventuais perdas significativas a área tem que ser replantada, conforme conta no termo de compromisso de recuperação ambiental.

Osvaldo e Luana, exemplo da água como fica depois de passar por dois estágio do tratamento

EXEMPLO A SER SEGUIDO – Para a engenheira ambiental, todos os esforços que o Frigorífico Avícola Noroeste vem fazendo em atenção ao que é solicitado pelos órgãos ambientais devem ser valorizados e comemorados por toda sociedade, pois, principalmente em tempos de crise como o Brasil vem enfrentando, muito embora prioritário, os projetos ambientais das empresas de um modo geral acabam ficando em segundo plano.

O empresário Teruo Shibata gasta por mês, somente com produtos químicos para manter o projeto de tratamento do efluente originado na produção dos Frangos Noroeste, em torno de R$ 30 mil. Antes das iniciativas conservacionistas toda água utilizada no processo de produção vinha de poço artesiano. Hoje, a água apropriada para reuso, representa um ganho incalculável para o meio ambiente.

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