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Nuvem de gafanhotos no Brasil pode ser combatida pelos Engenheiros Agrônomos

Por enquanto na Argentina e no Paraguai, a nuvem de gafanhotos ainda não tem sua vinda ao Brasil descartada pelas autoridades. Por esta razão, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e entidades como a Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil (Confaeab) se organizam para orientar o combate aos insetos. Com isso, o controle da praga pode ser feito por Engenheiros Agrônomos – profissionais com competência técnica para atuar no combate aos gafanhotos, que não oferecem riscos aos humanos, somente a atividade agrícola. Porém, a Engenheira, Rosane Pereira Scapin (agente de fiscalização da Regional Maringá do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná, Crea-PR) falou que, a preocupação dos profissionais é que ainda não existe no Paraná e no Brasil defensivos agrícolas liberados para o controle da praga em nenhuma cultura.

Segundo Rosane, por este motivo os Engenheiros Agrônomos teriam dificuldades em realizar o combate da nuvem de gafanhotos por defensivos agrícolas sem a autorização do Governo Federal. Diz que mesmo que tenha produtos agroquímicos com ingredientes ativos que controlam este inseto, não há registro – neste momento -, para as culturas existentes como o milho, trigo, aveia, citros, uva, etc. Fazendo com que os Engenheiros Agrônomos tenham dificuldades em realizar o combate por produtos químicos sem a autorização imediata do Ministério da Agricultura.

Estão registrados no Crea-PR 18.249 Engenheiros Agrônomos nesta modalidade. Deste total, 2.719 estão localizados na região Noroeste do Estado. Para a agente de fiscalização, neste momento o papel desses profissionais na agricultura é um dos mais importantes, porque eles podem orientar a melhor prática fitossanitária a ser aplicada, obedecendo os preceitos etioecotoxicológicos de cada região ocupada pelos insetos.

Afirma que os Engenheiros Agrônomos têm a competência técnica necessária para combater os gafanhotos e fazer a prescrição do Receituário Agronômico de forma segura, evitando dano ao meio ambiente. O documento contém informações sobre o uso racional de defensivos agrícolas na produção. Já a atuação do Conselho é focada na fiscalização do exercício profissional em defesa da sociedade, que busca consumir um alimento seguro, produzido com respeito ao meio ambiente.

Na região Noroeste, de acordo com a Engenheira Agrônoma, a nuvem de gafanhotos pode acabar com as culturas de inverno, como o trigo e a aveia, que estão em pleno desenvolvimento em julho. Ela diz que a prescrição do receituário evita a aplicação incorreta e indiscriminada de defensivos agrícolas, pois cabe apenas aos Engenheiros Agrônomos decidir quando e de que forma efetuar o controle, que terá que ser feito por pulverização aérea. Neste contexto, o Estado tem 22 empresas de aviação agrícola autorizadas para executar o serviço contra a nuvem de gafanhotos. Em 2019, foram registradas 112 ART’s de pulverização aérea nas microrregiões de Maringá, Cianorte, Campo Mourão, Paranavaí e Umuarama.

A ART é a sigla de Anotação de Responsabilidade Técnica, documento que define legalmente o profissional, seja ele Engenheiro, Agrônomo, profissional das Geociências, tecnólogo ou técnico, responsável pelas atividades técnicas da obra ou serviço que está sendo executado. O documento caracteriza legalmente os direitos e obrigações entre profissionais e contratantes, garante os direitos autorais do profissional, comprova a existência do contrato entre as partes e define os limites da responsabilidade técnica.

Sobre o assunto, o gerente da Regional Maringá do Crea-PR, Engenheiro Hélio Xavier da Silva Filho, explica que como em toda situação de pulverização aérea cabe adequada seleção de agroquímico, o cálculo da dispersão e quantidade correta do produto. “É quando entra a expertise dos Engenheiros Agrônomos, que são os responsáveis técnicos pelas empresas de aviação agrícola e pela prescrição do Receituário Agronômico”.

O inspetor na região Noroeste do Crea-PR, Engenheiro Agrônomo Ramael Lázaro Luiz, reforça que a aplicação errada dos produtos químicos durante o combate da praga pode provocar diversos danos ambientais e à população de forma geral. “Uma pulverização aérea feita sem a orientação de um profissional habilitado pode contaminar rios e riachos e até causar a intoxicação de pessoas que moram próximas às áreas pulverizadas. Por isto, o Ministério da Agricultura está em alerta contra a nuvem e nós, profissionais da área, estamos preparados para agir de maneira consciente, caso os gafanhotos venham para o país”, ressalta.

No Manual de Orientação sobre Receituário Agronômico, Uso e Comércio de Defensivos Agrícolas editado pelo Crea-PR em parceria com a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), tem mais informações: . Além dos princípios básicos e das orientações para prescrição de receitas, o documento também lista as principais infrações verificadas pela Adapar na fiscalização do comércio e uso de defensivos no Estado.

A nuvem de gafanhotos

Os primeiros alertas da nuvem de gafanhotos nos países vizinhos ao Brasil são do dia 11 de maio, segundo o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa). Os insetos entraram na Argentina por meio do Paraguai. A extensão inicial da nuvem era de 20 km², com cerca de 40 milhões de gafanhotos da espécie Schistocerca cancellata, que voam até 150 quilômetros por dia. Eles devastam pomares, pastagens e lavouras de grãos, causando sérios prejuízos para a agropecuária, além de danos ao meio ambiente. Por isso, os produtores rurais estão tão apreensivos. No Brasil, o monitoramento é feito pelo Ministério da Agricultura.

Ainda de acordo com o mapa de deslocamento da praga publicado pelo Senasa, existe a possibilidade desta nuvem atingir o Brasil pela região Sudoeste do Estado do Rio Grande do Sul (RS), oeste de Santa Catarina (SC) e Paraná (PR), podendo chegar até o Sul do Mato Grosso do Sul (MS). Neste caso, os gafanhotos escapariam das baixas temperaturas e chuvas que o sistema meteorológico prevê na região Sul do Brasil. Se chegar ao MS, o potencial de dano seria elevado em decorrência das temperaturas mais elevadas e baixa umidade relativa do ar no mês de julho.

 

 

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