As chuvas que atingiram as principais regiões produtoras do País em fevereiro impactaram diretamente o ritmo de escoamento da safra de soja, provocando uma desaceleração relevante no transporte do produto no período. Em março, mesmo com o tempo ainda instável, houve forte aceleração dos embarques. É o que aponta levantamento da Frete.com, maior ecossistema de transporte rodoviário de cargas da América Latina.
De acordo com os dados da plataforma, o volume de fretes de soja no Brasil registrou queda de 12,17% em fevereiro de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a retração foi de 11,96% no mesmo período. O movimento, no entanto, não indica uma redução da produção, mas sim um atraso na dinâmica logística, causado pelas condições climáticas adversas.
O volume de colheita e transporte foi retomado em março, com forte aceleração da contratação de fretes para carregamento da commodity. Na primeira quinzena do mês, o volume de fretes apresentou alta de 30,94% no Brasil e de 30,99% no Centro-Oeste, na comparação com o mesmo período de 2025.
Ritmo alterado, não volume
Apesar da forte oscilação entre os períodos, o volume total transportado entre 1º de fevereiro e 15 de março permaneceu praticamente estável. No Brasil, houve leve alta de 1,04%, enquanto no Centro-Oeste foi registrada pequena queda de 0,48%.
“Na prática, isso indica que não houve aumento ou redução relevante da produção no período, mas sim uma mudança no timing do escoamento”, diz Roberto Junior, Gerente Executivo de Inteligência de Negócios da Frete.com.
“O que observamos foi um típico efeito de demanda reprimida. As chuvas atrasaram a operação em fevereiro. Quando as condições indicaram uma melhora, o sistema logístico precisou acelerar para compensar o atraso, gerando esse pico expressivo em março”, afirma o executivo.
