Uma tecnologia apresentada pela Goodyear mostra que resíduos produzidos no campo poderão ganhar uma nova e importante utilização. O pneu-conceito Eagle GO emprega, entre seus componentes, sílica obtida das cinzas da casca de arroz, além de óleo de girassol, resina de pinheiro e borracha natural.
Apesar de ser popularmente chamado de “pneu feito de arroz”, o produto não é fabricado integralmente com o cereal. A casca de arroz, normalmente descartada depois do beneficiamento, é que serve como matéria-prima para a produção da sílica utilizada no composto da banda de rodagem.
A inovação foi desenvolvida para equipar o Citroën Oli, um automóvel-conceito elétrico. Segundo a Goodyear, o objetivo é que o Eagle GO alcance até 500 mil quilômetros durante toda a sua vida útil. Essa durabilidade, entretanto, não dependerá apenas da resistência do material: a proposta prevê o reaproveitamento da carcaça e a renovação da banda de rodagem por até duas vezes.
O pneu também possui a tecnologia Goodyear SightLine, formada por sensores capazes de acompanhar condições como pressão, temperatura e desgaste. As informações poderão ajudar a identificar o momento adequado para manutenção ou renovação, proporcionando mais segurança e melhor aproveitamento do produto.
A utilização da casca de arroz representa um avanço para a economia circular. Um resíduo agrícola que poderia terminar em aterros ou causar impactos ambientais passa a ser transformado em matéria-prima para a indústria automotiva. Ao mesmo tempo, o uso de óleos vegetais, resinas naturais e materiais reciclados contribui para reduzir a dependência de derivados do petróleo.
A tecnologia já existe em forma de protótipo, mas o Eagle GO ainda é um pneu-conceito e não está disponível para venda em larga escala. Portanto, os 500 mil quilômetros representam uma meta estabelecida pela fabricante, e não uma durabilidade já comprovada no uso cotidiano pelos consumidores.
Mesmo assim, o projeto aponta um caminho promissor para a mobilidade sustentável e demonstra como o agronegócio pode participar da produção de tecnologias avançadas. Do campo para as estradas, a casca de arroz pode deixar de ser apenas um resíduo e se transformar em parte importante dos pneus do futuro.
